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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

17.07.21

Quando eu nasci.


Lia Ramos

 

 

Quando a flor se abriu

nasci para a morte.

Nos olhos,

meia lua de sangue.

Na boca,

o choro  do ventre perdido.

Na pele,

um julho escaldante.

Nas mãos, 

um sol enorme e brilhante.

Quando eu nasci,

o céu batizou o meu sorriso

um anjo fixou o meu olhar

uma estrela registou o meu nome.

Quando eu nasci,

nada aconteceu no mundo

mas em ti , mãe 

o colo virou cratera

de um amor tão profundo.

 

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