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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

10.06.21

Poema triste


Lia Ramos

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Encontrei um Poema Triste

numa manhã cinzenta e fria.

O vento roubara-o das mãos vazias 

de um poeta qualquer.

Cansado dos versos melancólicos

e das ilusões das rimas assertivas

sentia-se tão taciturno

como o seu infeliz nome.

Já ninguém o queria ler,

nem ouvir, nem sentir, nem declamar...

Morava no livro da saudade

no capítulo da angústia. 

Alimentava-se de dúvidas existenciais

bebia a inconstância do querer

e à noite dormia com amores perdidos

na cama dos indesejados.

Cheirava a mofo, a vazio

as palavras ressequidas pelo sal do choro

eram agora cristais de cloreto de sódio.

 

Agarrei este Poema Triste

amassei-o com firmeza.

Encostei-o à berma dos versos

peguei-lhe pela rima  

e subtrai-lhe as palavras uma a uma.

Com a esponja mágica da alegria

apaguei os seus contornos sombrios.

 

Implorei ao Poema Triste

que beijasse os versos brancos. 

Que fosse conquistar a primavera

que fosse ver o céu e o mar.

Que se embriagasse de azul

que convidasse almas coloridas

para entrar na sua dança.

 

E assim,

já todo ele feito de amor e luz

batizado de Poema Amado

poderia finalmente renascer

na Páscoa deste bailado. 

 

 

 

 

 

 

 

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