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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

18.08.22

Infelizmente existe!!!


Lia Ramos

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A injustiça e a ingratidão são tão feias!!! Os ingratos e os injustos são naturalmente assustadores e vazios. Não têm brilho. O olhar é baço e frio.  Conheço homens ingratos charmosos e  mulheres injustas belíssimas mas são tão escassos em afetos e desnutridos de vida!  Se fossem transparentes, e os pudesse ver por dentro, encontraria decerto um cenário de guerra cheio de destroços afetivos, perdas, frustações, traumas e bloqueios.  Normalmente são simpáticos e esbanjam sorrisos. São maravilhosos atores e na hora de fugir de cena são incriveis atletas e hábeis no jogo das escondidas. Não se despedem para não se tornarem memoráveis ou deixarem saudades. Querem ser recordados como se fossem o enredo principal de um filme da Agatha Christie.
Saem de mansinho. Em silêncio. Sem retribuir nada, sem devolver nada, sem agradecer nada. Boca fechada. A arma mais poderosa. Ficam invisiveis na sombra dos medos e depois inventam, para aliviar a culpa,  que nunca os  olhos se cruzaram. É um jogo onde se trocam as regras a meio.  A cobardia é o "checkmat" perfeito neste jardim de ervas daninhas onde apenas um é e o outro finge ser.  São tão inseguros que precisam tirar proveito dos fortes para não se sentirem tão fracos. Tantas vezes observo os olhos dos ingratos e não consigo ver nem uma pontinha de paz. Só medo, mágoa e angústia. Quase caio na tentação de os entender e apaziguar com o meus braços de amor e o meu colo em flor.  Os ingratos e os injustos parecem seguros de si mas são como cacos, destruídos pela frustração e impotência,  por não conseguirem trilhar os caminhos da sensatez e da verdade. Estão zangados consigo mesmos. Quase não se toleram. Muito menos amam os outros porque não se amam. Vivem em cima do muro a contar os dias na sombra e invejam o sol que bate no quintal dos felizes.  Espreitam às portas da bondade, amor, verdade, pureza, transparência e inocência e se estas estiverem abertas entram sem pedir licença, servem-se e saem de mansinho fazendo estragos  que podem levar a vida toda a curar. São muito poderosos!!  Os dentes dos ingratos e hipócritas cheiram a pasta dentífrica e a elixir de mentol e a sua especialidade é a pancadinha nas costas.  As mentes dos injustos e ingratos pesam toneladas. Só as balanças de Deus as podem pesar. Balanças gigantes para abarcar toda a sua existência. Aí a justiça será a divina, não a dos homens. Um dia irão sucumbir porque as dores de cabeça são intensas e a consciência não os deixa descansar. Se juntarmos a esta dupla magnifica a sorrateira  traição, a mentira e o prepotente orgulho  então o quadro fica (im) perfeito. A maior parte das pessoas só quer servir os seus próprios interesses, olhar para o seu umbigo e assim conseguir encher a carteira, pagar as contas, resolver os problemas,  ser promovidos no emprego, possuir os corpos desejados. E depois? Depois descartam e esquecem quem os ajudou. Não importa se são amigos, colegas, maridos,  mulheres,  amantes, namorados, pai, mãe, irmãos...  Usar o outro, como se usa um copo de plástico, deveria ser crime punível por lei. As pessoas não são coisas. As pessoas são pessoas. As pessoas sofrem. Não há pior sensação do que sentir o peso da ingratidão, da traição e do gume afiado da faca espetada nas costas. Os mais injustos e ingratos são os que mais ganham a nossa confiança e os que mais dizem amar-nos e apreciar-nos.
Aprendi desde criança que devemos ser gratos. Lembro- me de todas as  pessoas que me apoiaram nos dias mais tempestuosos da vida e recordo como estes  bálsamos me curaram as feridas: uma palavra, um mimo , um sorriso, uma mensagem, uma atitude generosa.  E já lá vão quase 20 anos!! Ainda hoje os respeito, os admiro e lhes sou grata. Um por um.
Mas... E se me tivessem matado a fome e a sede? E se me tivessem arranjado um emprego? Se acreditassem piedosamente em mim e nas minhas capacidades?  Se me emprestassem dinheiro quando não há saída e a ideia de pôr um fim surge na cabeça?  E se me apoiassem os sonhos e os projetos? E se me olhassem nos olhos e dissessem que poderia contar com eles? Se assim fosse, a gratidão só poderia ser eterna, para a vida toda.
Ser grato a quem nos ajuda, nos incentiva, nos impulsiona, nos salva, nos levanta do chão e acredita em nós, é obrigação moral e ética e é urgente ser emocionalmente responsável.
É uma benção ter alguém a caminhar ao nosso lado e a valorização do outro e a  retribuição  é um dever. Dizer obrigado é pouco, é uma palavra apenas, e se não for acompanhada de ações, de atitudes, de olhares sinceros de nada serve.  
Quando os Anjos da Terra, de alma bondosa e gentil, entram nas nossas vidas devemos sentir o seu  perfume para nos tornarmos melhores pessoas e tatuarmos na alma essa essência de amor. 
Por favor, não magoem os Anjos da Terra.  Um anjo ferido é mais uma estrela que chora no céu da desilusão.
É mais um anjo desacreditado, de olhar triste e os anjos da bondade servem para iluminar o mundo. Fazem muita falta pois mesmo sem asas elevam almas e aproximam-nas de Deus. Fazem-nas crescer e evoluir.
Não os deixem transformar-se em estátuas frias e estrelas mortas. 
 
Deixem-se iluminar por eles e iluminem também.  
 
Bem hajam por existirem desse lado. 🙏
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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