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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

27.08.22

As portas querem-se abertas!


Lia Ramos

Deixa a porta aberta para que o vento entre na tua casa e a possa arejar por dentro. Abre as janelas, ama os peitoris e abraça as tuas varandas.  Faz-te ao vento, à maresia, ao cheiro, à paisagem e ao caminho.   Faz-te à aragem e pede-lhe brisa fresca. Sente o vento  na pele e nos cabelos,  fixa-lhe o aroma e perfuma-te de ar puro e leve.  Dá-lhe a tua morada, numa cidade sem rua, num bairro sem fechaduras nas portas.  Mostra-lhe os labirintos  do teu corpo, as salas do teu coração e o lixo acumulado nos cantos e debaixo dos tapetes. Não lhe escondas nada. O vento é o velho companheiro do tempo e aprendeu com ele a arte de tudo levar, tudo esquecer e tudo limpar.

Deixa a porta aberta para que o sol aqueça as paredes da tua casa, derreta as mágoas guardadas na caixa da tristeza e envolva os teus pés frios.  Deixa-te ficar nesse confortável mimo. Encostado a ti. Encostado a mim. Partilha um jardim de flores, de girassóis vergados de amor,  de sombras e de luzes. Observa o nascer e o pôr do sol.  Renasce dentro desse mágico instante e aprende a conhecer a esperança, na certeza de um novo dia. Partilha um banco de jardim e bebe água fresca pelo mesmo copo.  Nunca deixes a porta entreaberta, a incerteza do sim e do não corrói,  a angústia instala-se no lado esquerdo do coração e faz brotar lágrimas de sangue. Nunca deixes a porta fechada porque  limita os sonhos, asfixia a vida e estrangula o olhar da paixão, do desejo e do querer. Usa as chaves para abrir almas esquecidas pelo desamor e ingratidão. Liberta-as dos labirintos onde se perderam. 

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Os sonhos querem-se livres. Os pássaros querem-se soltos. As portas querem-se abertas!