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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

02.11.21

Consciência


Lia Ramos

A consciência pesada 

Vive entre a culpa e o perdão.

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Tem o corpo denso,

Os pés gigantes, distorcidos.

As pálpebras cerradas

Impedem a luz aos castigados olhos.

A cabeça vazia,

Navega num mar gelado

Onde os barcos estão parados.

 

Apressa-te!

Liberta o peso dos abutres ávidos,

Carregados de dor e ingratidão.

 

Viaja pela  lucidez da alma, 

No tranquilo colo do meu amor,

E ancora-te nos alvos braços.

Aconchega-te no lençol dos dias,

Na cama das primaveras.

E adormece aí com ela...

Abraço fraterno de irmãos

Que fazem as pazes após a guerra.

Inocentemente...

 

 

02.11.21

O sol desce a colina.


Lia Ramos

No meio da poesia és palavra.

 

A poesia pulsa na alma,

A poesia dança e ama,

A poesia mata e fere.

 

No meio da poesia és palavra.

 

O amor das coisas simples,

O mistério da hora distraída,

O riso do pranto demorado.

 

No meio da poesia és palavra.

 

O silêncio a apertar laços.

O carrocel enlouquecido,

A dor que o tempo ameniza.

 

Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei.

Mas o sol já desce a colina.

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