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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

31.10.21

Pedro Ramos- Crónicas


Lia Ramos

Queridos leitores!

Este vício dos "desabafos" da escrita, que venho fazendo por aqui, como passatempo, foi transmitido ao meu filho mais velho, Pedro Ramos, jovem de 25 anos, médico de profissão, humanista e ser atento e sensível às causas sociais.

Escreve em prosa, em jeito de crónica, sobre os aspetos ligados ao seu dia a dia familiar ou profissional, coisas da vida e de todos nós. Um olhar atento ao pormenor.  Quero presentear-vos com alguns dos seus textos.  Digam de vossa justiça. Podem comentar se assim entenderem.

Obrigada.

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Podem aceder aqui.

29.10.21

No jardim das luzes mornas.


Lia Ramos

Cidade dos meus medos

Perco-me em ti

Para me encontrar

Nos teus cabelos de chuva.

 

Na cidade,

Há paixões desertas e parques com pombas.

Há loucos a dançar na rua,

Homens pendurados em fios,

Poetas apaixonados pela lua 

A escrever poesia bonita

Em edifícios  sombrios.

 

Fundo-me neste quadro mesclado

De cores ternas, agitadas

Que encontro no cheiro a gente,

A peixe,

A pão fresco.

 

Nas avenidas largas e frias,

Há sementes de amor,

A transbordar nos passeios,

A rebentar nas solas de quem passa.

 

Apresso-me a cheirar flores.

Conto coloridas pétalas tristes,

Empilhadas em minúsculos canteiros

A suplicar espaço.

 

Aqui, as rosas acariciam os cravos

Com os seus afiados espinhos.

Aqui, os cravos amam as rosas

Com os beijos das margaridas.

Tanta indefinição de aromas!

 

Assim se vive,

Assim se ama,

Assim se respira,

No jardim das luzes mornas.

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26.10.21

Metade de Mim


Lia Ramos

 

 

Metade de Mim é meia hora,

A outra metade, meia vida.

Metade de Mim é meia noite,

A outra metade meio dia.

Subo meia rua, meia estrada,

Na bipolaridade dos dias.

 

Metade de Mim é meio grito,

A outra metade, meio silêncio.

Meia de leite, meia torrada, 

Meia praia, meio tempo.  

Meia no pé e no caminho.

Metade cativa na subtração,

Metade liberta na adição.

 

Metade de Mim laranja doce,

A outra metade, meio limão.

 

Meia dose com copo cheio,

Taça de barro em cristal puro.

 

Metade é o que oiço,

E metade é o que calo.

 

Metade abrigo, metade cansaço.

Metade dúvida, metade certeza.

Metade palco, metade plateia.

Metade minha, metade tua.

Metade é desejo antagónico,

Duplicado na serena e gemelar face.

 

Metade é amor,

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e a outra metade também...

 
 


 

                                                                               

                                                                             

 
 



10.10.21

Outono


Lia Ramos

 

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Neste outono pedirei um tom acima

para este vendaval de cores envelhecidas

e das coisas mutáveis da terra.

 

Irei lembrar-lhe  que entardece cedo,

e que o sol muito timido, 

vem  pedir guarida na minha boca amena 

e apoderar-se do recorte dos meus lábios.

Evidente provocação de luz.

 

Neste outono

pedirei para desvendar os mistérios do vento

com as tintas da poesia.

 

É que as folhas, tontas de sono,

já fazem camadas no chão

na pálida fatalidade da queda...