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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

30.07.21

Dualidades


Lia Ramos

Contigo

resgato o sorriso de um tempo sem intervalo.

Liberto o cabelo rebelde

nos meus alvos ombros numa provocação de luz.

Desperto brilho nos olhos baços

 nascem-me asas neste corpo dormente.

E depois?

Depois navego nas mil e uma caravelas 

carregadas de desejos felizes

num mar revolto de inquietude.

E escrevo poesia em versos brancos

para te encaixares livremente.

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Sem ti

o norte perde-me

e eu perco outra coisa qualquer.

Sem ti

Os pássaros gritam-me ao ouvido

uma melodia insuportável.

As tempestades de vento 

rasgam-me a pele seca

e lançam-me num deserto

sem oásis...

 

E assim vagueio nesta

etena dualidade dançante.

Duas faces coladas

neste bailado sobre a mesa.

 

E depois?

Depois rimos, neste querer 

e neste não querer, choramos.

Depois perdemo-nos neste ter 

e neste não ter, nos encontramos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

17.07.21

Quando eu nasci.


Lia Ramos

 

 

Quando a flor se abriu

nasci para a morte.

Nos olhos,

meia lua de sangue.

Na boca,

o choro  do ventre perdido.

Na pele,

um julho escaldante.

Nas mãos, 

um sol enorme e brilhante.

Quando eu nasci,

o céu batizou o meu sorriso

um anjo fixou o meu olhar

uma estrela registou o meu nome.

Quando eu nasci,

nada aconteceu no mundo

mas em ti , mãe 

o colo virou cratera

de um amor tão profundo.

 

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