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Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

Colo em flor.

Depois de largos anos de adormecimento em relação às palavras, eis o regresso, o recomeço, às tentações da escrita e da criatividade. Enfim, um "parto" de ideias.

28.06.21

Oh, Mar!


Lia Ramos

 

 

Oh, Mar!

Na tua companhia conto os passos

Subtraio  tristezas,  somo alegrias

numa alternância solitária constante.

 

Oh, Mar!

No meu olhar pequenino espelho a tua grandeza

e tu transbordas em mim

salgando-me a pele e o cabelo.

Às  tuas águas

confio os meus segredos

e choro perdida 

pedindo colo.

 

Oh, Mar!

No teu azul

apaziguo esta dor.

No calor da areia enxugo o que resta

e no teu abraço gélido

esqueço as ausências.

 

Oh, Mar!

funde as minhas lágrimas em ti

e leva-me a viajar por dentro....

 

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14.06.21

Empresto-te o meu sorriso!


Lia Ramos

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Empresto-te  meu sorriso, só por hoje!

Mas por favor,  devolve-mo aberto, rasgado, contagiante.

Quero que abras a boca até ver o céu

que a língua acaricie os dentes numa dança louca

e os lábios se abram como quem pede beijo.

Nem penses em ousar ser meio termo.

Meu sorriso é coisa séria, e só aceito emprestar-to se  prometeres abusar.

Não te preocupes com as ruguinhas que ficarem ao redor dos olhos.

Toma...Leva!

Meu sorriso dobra de tamanho quando vai parar na tua boca.

12.06.21

Teus olhos.


Lia Ramos

 

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Teus olhos são um mar doce e amargo

chocolate com sabor a limão.

São espelho de uma lua pálida

sombra de um sol ardente e insano.

Pedem o colo perdido

o toque no ombro

o abraço da mãe.

Anunciam como gaivotas

as tempestades da alma

das noites solitárias na tua cama.

Trazes nos olhos o brilho

que denuncia esse omisso querer.

 

Pedem sem falar

Veem sem olhar

Desejam sem tocar

Beijam sem sentir

Amam sem possuir.

 

Não preciso negar que afundei.
Mergulhei de vez nesse mar.

 

10.06.21

Poema triste


Lia Ramos

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Encontrei um Poema Triste

numa manhã cinzenta e fria.

O vento roubara-o das mãos vazias 

de um poeta qualquer.

Cansado dos versos melancólicos

e das ilusões das rimas assertivas

sentia-se tão taciturno

como o seu infeliz nome.

Já ninguém o queria ler,

nem ouvir, nem sentir, nem declamar...

Morava no livro da saudade

no capítulo da angústia. 

Alimentava-se de dúvidas existenciais

bebia a inconstância do querer

e à noite dormia com amores perdidos

na cama dos indesejados.

Cheirava a mofo, a vazio

as palavras ressequidas pelo sal do choro

eram agora cristais de cloreto de sódio.

 

Agarrei este Poema Triste

amassei-o com firmeza.

Encostei-o à berma dos versos

peguei-lhe pela rima  

e subtrai-lhe as palavras uma a uma.

Com a esponja mágica da alegria

apaguei os seus contornos sombrios.

 

Implorei ao Poema Triste

que beijasse os versos brancos. 

Que fosse conquistar a primavera

que fosse ver o céu e o mar.

Que se embriagasse de azul

que convidasse almas coloridas

para entrar na sua dança.

 

E assim,

já todo ele feito de amor e luz

batizado de Poema Amado

poderia finalmente renascer

na Páscoa deste bailado. 

 

 

 

 

 

 

 

08.06.21

Abraço de Luz


Lia Ramos

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Um dia dançarei na tua rua
 
em tapetes perfumados de alecrim.
 
Um dia poisarão borboletas livres no meu cabelo
 
e os meus olhos serão duas cerejas doces.
 
Um dia iremos à festa do céu
 
e eu serei a tua contadora de estrelas.
 
Um dia a lua chamará o amanhecer
 

para um abraço de luz.

Um dia os laços do meu vestido

vão prender-te num enlace

e tu ficarás preso por vontade. 

 

E nesse dia quererei permanecer... 

 

 

 

08.06.21

Quando a terra se cobrir de Flor


Lia Ramos

Quando a terra  se cobrir de flor

e o céu for manto de bem querer

o mundo será livre  de dor.

Quando o passado beijar o futuro

e  a lua  e o sol se encontrarem

a porta da tua casa pedirá liberdade.

Quando eu rezar minha oração

no altar da cumplicidade

o destino cumprir-se-á

nas asas da verdade.

 

Os meus beijos seguirão intactos

acondicionados em sonhos

nesses barcos solenes

que correm pelo mar.

Serão entregues em manhã fria

para que quentes sejam sentidos

na boca da saudade.

 

 

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